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"...Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?" (Ferreira Gullar)- Sou uma jovem mãe apaixonada pelos filhotes (que, de fato, são lindos, gostosos, alto astral, chameguentos, fofos, cheirosos, espertos, etc),professora, que faz som (na MANZUÁ, uma banda aqui do interior da Bahia), que luta veementemente contra a balança (na verdade, podia ser com mais veemência rsrs), que adora rir (muito, de preferência, e das coisas mais bobas possíveis), que gosta muito de gente, que gosta muito também de silêncio... tá bom, ou quer mais?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

No descomeço era o verbo (Manoel de Barros)



No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá, onde a criança diz:
eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
Funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta,
que é a voz
De fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

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