Quem sou eu

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"...Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?" (Ferreira Gullar)- Sou uma jovem mãe apaixonada pelos filhotes (que, de fato, são lindos, gostosos, alto astral, chameguentos, fofos, cheirosos, espertos, etc),professora, que faz som (na MANZUÁ, uma banda aqui do interior da Bahia), que luta veementemente contra a balança (na verdade, podia ser com mais veemência rsrs), que adora rir (muito, de preferência, e das coisas mais bobas possíveis), que gosta muito de gente, que gosta muito também de silêncio... tá bom, ou quer mais?

terça-feira, 12 de julho de 2011

catarse.me - colabore com o lançamento do Memórias


o projeto Memórias Do Rio Cachoeira une a poesia de autores da cidade de Itabuna-BA à musicalidade da Banda Manzuá para contar as histórias e as memórias da vivência da cidade com o Rio num DVD documentário único que celebra essa relação e virá acompanhado de um CD da trilha sonora: os poemas sobre o rio musicados de autores itabunenses pela banda Manzuá.

Bora fazer a festa do lançamento, em novembro, acontecer???

selecionar o valor com o qual você quer colaborar e o prêmio correspondente...
gente, é fácil demais colaborar!!! é na base do boleto,todo tipo de cartão, débito em todos os bancos... Contamos com a colaboração de todos vocÊs!!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

EXTERIOR - Waly Salomão

Por que a poesia tem que se confinar

às paredes de dentro da vulva do poema?

Por que proibir à poesia

estourar os limites do grelo

da greta

da gruta

e se espraiar em pleno grude

além da grade

do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar

de pé, cartesiana milícia enfileirada,

obediente filha da pauta?

Por que a poesia não pode ficar de quatro

e se agachar e se esgueirar

para gozar

-CARPE DIEM!-

fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso

sem poder se operar

e, operada,

polimórfica e perversa,

não poder travestir-se

com os clitóris e os balangandãs da lira?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

No descomeço era o verbo (Manoel de Barros)



No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá, onde a criança diz:
eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
Funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta,
que é a voz
De fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NATURALIDADE (RUI KNOPFLI)

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
européias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável ... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Manzuá no V Festival Multiarte Firmino Rocha

Onde recebeu as premiações de melhor interpretação feminina por suas vocais Laísa Eça e Brisa Aziz e 2º lugar na categoria banda, ambos os prêmios conquistados com a execução de "África", música de autoria da banda.

www.youtube.com/watch?v=aQbVffEXrYc

Prestem atenção especialmente ao poema declamado no início da apresentação - o Poema dos Sentidos, de autoria de Gustavo Felicíssimo.

para assistir mais da MANZUÁ acesse www.youtube.com/bandamanzua

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Acerca do amor - Filinto Elísio


Do amor só digo isto:

o sol adormece ao crepúsculo
no oferecido colo do poente
e nada é tão belo e íntimo,

0 resto é business dos amantes.
Dizê-lo seria fragmentar a lua inteira.

sábado, 5 de junho de 2010

SONETO ANTIGO - Cecília Meireles

Responder a perguntas não respondo
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.