Sou um animal sentimental
Me apego facilmente a quem desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que eu não quero
E cê vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi a lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo
Quem sou eu
- Brisa Aziz
- "...Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?" (Ferreira Gullar)- Sou uma jovem mãe apaixonada pelo filhote (que, de fato, é lindo, gostoso, alto astral, chameguento, fofo, cheiroso, esperto, etc), recém formada (dá-lhe estudar pra concurso), que faz som (numa banda de música alternativa aqui no interior da Bahia com o maridão), que luta veementemente contra a balança (na verdade, podia ser com mais veemência rsrs), que adora rir (muito, de preferência, e das coisas mais bobas possíveis), que gosta muito de gente, que gosta muito também de silêncio... tá bom, ou quer mais?
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O Sonho - Adélia Prado
O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre.
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Antes do Nome - Adélia Prado
Não me importa a palavra , esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palvra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palvra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
DANÇA DAS SOMBRAS (de Daniela Galdino)
"Vai-se a primeira pomba..."
e as demais...
Como ficaria extasiado
se no céu somente pombas pairassem!
Agora os anjos esperam
- soturnamente -
mais uma alma pueril.
Vai-se o primeiro garoto:
Lábios secos, olhos fundos
Mais osso do que pele.
Sobe nesse instante
uma menina
que há muito não via
as asas alvas de uma pomba.
Somente a orquestra dos urubus
bicando o seu futuro.
Seu sorriso sem dentes,
Seu pulmão tubérculo,
Sua grande agonia,
São indícios de um tempo
Em que a esperança
É um ultraje ao pudor.
e as demais...
Como ficaria extasiado
se no céu somente pombas pairassem!
Agora os anjos esperam
- soturnamente -
mais uma alma pueril.
Vai-se o primeiro garoto:
Lábios secos, olhos fundos
Mais osso do que pele.
Sobe nesse instante
uma menina
que há muito não via
as asas alvas de uma pomba.
Somente a orquestra dos urubus
bicando o seu futuro.
Seu sorriso sem dentes,
Seu pulmão tubérculo,
Sua grande agonia,
São indícios de um tempo
Em que a esperança
É um ultraje ao pudor.
domingo, 24 de maio de 2009
ESPERA (Firmino Rocha)
Não acordar a palavra
Deixar que ela sinta no silêncio
os frêmitos de todos os mistérios
até o último instante.
Nova e virgem então ela virá
e ao poema dará seiva e fervor.
Não acordar a palavra
Deixar que ela durma no silêncio
o seu fecundo sono
até que como o sol desperte
e descubra as coisas
e nada deixe em escuridão e frio.
O poema então será verdade,
amor e carinho.
PS: gente, que delícia esse poema... cheiro de orvalho no ar... tive que postar e dividir com vocÊs rsrs
Firmino Rocha foi um poeta daqui da cidade onde moro agora - Itabuna, na Bahia. O cara é tão aclamado aqui na região que o Festival Multiarte que a Prefeitura promove todo ano leva o nome dele. Quem ganha (tem várias categorias: música, dança, teatro, cordel) leva um troféu Firmino Rocha pra casa :) ói só, que luxo... rsrs
Deixar que ela sinta no silêncio
os frêmitos de todos os mistérios
até o último instante.
Nova e virgem então ela virá
e ao poema dará seiva e fervor.
Não acordar a palavra
Deixar que ela durma no silêncio
o seu fecundo sono
até que como o sol desperte
e descubra as coisas
e nada deixe em escuridão e frio.
O poema então será verdade,
amor e carinho.
PS: gente, que delícia esse poema... cheiro de orvalho no ar... tive que postar e dividir com vocÊs rsrs
Firmino Rocha foi um poeta daqui da cidade onde moro agora - Itabuna, na Bahia. O cara é tão aclamado aqui na região que o Festival Multiarte que a Prefeitura promove todo ano leva o nome dele. Quem ganha (tem várias categorias: música, dança, teatro, cordel) leva um troféu Firmino Rocha pra casa :) ói só, que luxo... rsrs
quinta-feira, 19 de março de 2009
AUTOPSICOGRAFIA (Fernando Pessoa)
Assinar:
Postagens (Atom)
